segunda-feira, 18 de agosto de 2008

VII

Da vez primeira que me assasinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, de cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

E hoje, dos meus cadáveres, eu sou
O mais desnudo, o que não tem nada...
Arde um toco de vela, amarelada...
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos chacais, ladrões da estrada!
Ah! desta mão, avaramente adunca,
Ninguém há de arrancar-me a liz sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz do morto não se apaga!


Livro: Rua dos Cataventos
Autor: Mário Quintana


Sei, existem várias pessoas que nos matam, mas não precisa nos matar necessariamente, mas sempre nos tiram alguma coisa, seja boa ou ruim!

Bom era isso, até a próxima!

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